Padre JONAS EDUARDO GOMES DA COSTA E SILVA, MIC

 

 E-mail: jonaseduardo2002@yahoo.com.br    -    padrejonas@paroquiasaojorge.com.br

 

Cidade natal: Rio de Janeiro – RJ.

Nascimento: 27/02/1973 – Tenho 1 irmão mais novo.

Entrou no Seminário Mariano em 1991.

Ordenado Padre a 24 de julho de 1999.

Vigário da Paróquia São Jorge de 21/01/06 a 28/01/07.

 

Mensagem:  

Continuem todos unidos ao Pároco Padre Marcos, os desafios permanecem! Como Paulo Apóstolo, peço orações também pelo meu ministério.

 

Eis uma breve entrevista com o Padre Jonas!

 

Quando chegou à Paróquia São Jorge, qual foi a sua impressão sobre ela?

R: Eu já conhecia a Paróquia, pois fiz boa parte do seminário aqui. Morei neste lugar de 1991 a 92 e depois de 95 a 99, e por isso já vim um pouco preparado, sabendo muito do que me esperava. Também já haviam me falado do tamanho e da importância da Paróquia, do seu volume de exigências – já que conta com muitos movimentos e pastorais, mas ao mesmo tempo há muitas pessoas afastadas da Igreja. Vim, portanto, para trabalhar, ser Vigário – ajudar o Pároco bastante ocupado com a construção da nova Matriz – e de quebra ajudar o novo Reitor do Seminário Maior.

 

Por que acha que as pessoas se afastam da Igreja católica?

R: Por fatores internos da Igreja e externos a Ela, bem como por motivos particulares. Há pessoas que não se sentem atraídas pela forma como são celebradas certas Missas (às vezes falta fé e amor), têm medo das exigências morais (não entendem o seu sentido), estão muito desinformadas sobre o ensinamento da Igreja (não descobriram sua beleza!) e assim por diante. Outros elementos de fora da Igreja são os inúmeros atrativos da sociedade (prazeres e afazeres), as propostas sedutoras das seitas (solução fácil para os problemas, manipulação da palavra de Deus) e assim por diante. Mas há também motivos pessoais que precisam ser sublinhados: muitos estão descuidando-se da sua própria fé, pois quando não rezam mais, não participam mais da vida da comunidade, perdem A SEMENTE DA FÉ! Dificuldades sempre existirão, e não podemos colocar a culpa só nos outros.

 

Por que ser Católico?

R: Bom, o ponto de partida é a pessoa de Jesus Cristo, Filho de Deus, o que Ele – e os seus imediatos seguidores – defendiam e faziam (palavras e gestos); tudo isto nos é transmitido pelo NOVO TESTAMENTO (escrito entre os anos 50-100 d.C.).

Jesus foi bastante claro a respeito de sua comunidade: organizou desde cedo um grupo de 12 homens, os Apóstolos, destacando dentre eles Pedro, João e Tiago (dando funções específicas de liderança a Pedro, o que nos evangelhos é claro em ao menos 4 passagens). Deu uma missão bem específica à sua comunidade: evangelizar (anunciar e fazer acontecer a Boa Nova do Reino de Deus já presente), celebrar (“Fazei isto em minha memória”, “Batizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”, “A quem perdoardes os pecados estes lhes serão perdoados”), pastorear o rebanho de Deus (uma imagem muito comum naquele ambiente) – tudo isto em Seu Nome.

Este grupo o seguiu ao longo de alguns anos, encontrou-se com Ele depois de morto (o milagre da Ressurreição), saiu corajosamente para anunciar que Jesus morreu e ressuscitou para nos salvar (depois de Pentecostes), cresceu e espalhou-se por todo o Império Romano (e outros países); hoje se encontra presente na Igreja católica apostólica romana – pois o PAPA (modo carinhoso de chamar do Bispo de Roma) é o legítimo sucessor do ministério de Pedro Apóstolo, assassinado em Roma por volta do ano 64 d.C.

Jesus deixou também outros dons, outros presentes à sua Igreja. Dentre eles não poderia deixar de citar a pessoa de MARIA, sua Mãe; aos pés da cruz Jesus entrega Maria aos cuidados de S. João – que, segundo o texto grego, a recebe “entre as suas coisas”, como um tesouro a cuidar! Toda a Tradição primitiva entenderá que o papel de Maria é o de colaborar, unida intimamente a Jesus pela sua fé e por ser a sua Mãe, com a sua oração pelo bem da Igreja de seu Filho.

 

Para o Católico, portanto, é importante a Tradição?

R: Sim, mas a Tradição com “T” maiúsculo, não tradições particulares, humanas, que mudam com o sabor do vento! A Bíblia só será bem compreendida, corretamente interpretada, à luz da Tradição Cristã Primitiva – que vai dos Apóstolos até o século VIII (S. João Damasceno), que inclui especialmente o ensinamento dos Papas e dos Concílios da época, a vida litúrgica da Igreja (como se celebravam os SACRAMENTOS) e particularmente os escritos daqueles santos chamados “PADRES DA IGREJA” (S. Irineu, S. Cipriano, S. Basílio, S. Gregório etc.). Sem isso o problema do protestantismo antigo e atual não se resolve! O NOVO TESTAMENTO pode-se tornar objeto de manipulação individual; o texto tem de ser lido no seu contexto (anterior e posterior), que no caso é a Igreja viva. É bom lembrar que o protestantismo só veio a surgir no século XVI (Lutero), e que as doutrinas e práticas principais do Cristianismo primitivo (século I-VIII) são as mesmas que se encontram na Igreja Católica (Deus como Pai e Filho e Espírito, Jesus como Filho de Deus feito homem, os sacramentos da Eucaristia, Confissão etc., a veneração – não adoração – e intercessão dos Santos, a oração pelos que morreram etc.). Se não fosse a Tradição viva da Igreja, nem mesmo saberíamos quais são os livros inspirados que hoje fazem parte da própria Bíblia!

 

Somos diariamente criticados pelo uso das imagens em nossa Igreja, o que o Padre nos diz sobre isso?

R: Não adoramos imagens, apenas as usamos para representar pessoas (ou fatos ou doutrinas) da nossa fé. Adorar somente a DEUS! Aos Santos e Anjos se presta “veneração”. Adoração e veneração são duas coisas bem diferentes, o que durante a controvérsia iconoclasta (sobre as imagens) ficou definitivamente esclarecido (séc. VIII). Até a terminologia católica desta época deixa isto patente: para Deus se reserva um culto específico (latría), e para os demais o culto de “dulía”.

Claro, sempre houve e haverá abusos, mas que são cometidos por “alguns”, não sendo posição e ensinamento oficial da Igreja Católica. Como diz o adágio, “o abuso não tolhe o uso”.

De resto, é bom lembrar que a S. Escritura não proíbe de modo absoluto a confecção de imagens; haja visto o fato de que Deus explicitamente mandou colocar querubins e outras representações visíveis no Templo de Jerusalém, em cima da Arca da Aliança etc.; o que Deus proíbe – ontem e hoje – é que um outro ser qualquer ocupe o seu lugar, o que o Catolicismo oficial nunca fez. Nas catacumbas (séc. I-IV) temos inúmeras representações de imagens – Jesus como bom pastor, a Última Ceia etc. – o que nada tem de idolátrico, mas simples e justa expressão da fé. Esta é a finalidade da arte sacra: contemplando a obra, sermos conduzidos ao que representa.

 

O Padre está deixando a Paróquia São Jorge, e está indo para onde?

R: Para a Paróquia-Santuário da Divina Misericórdia, no Bairro do Umbará.

 

Qual o seu sentimento neste momento?

R: Vários. De um lado alegria pela missão aqui cumprida; fiz o que pude, e isto me alegra, embora não tenha feito tudo o que gostaria... Gostaria, p. ex., de ter realizado um trabalho melhor com os jovens, de ter criado uma maior comunhão entre os músicos e cantores, eu sonhava com uma pastoral da música separada da pastoral da liturgia.

Ao mesmo tempo saio com saudades, afinal fiz muitas amizades, que levarei sempre no coração; e saio também apreensivo pelo trabalho que me espera, o novo sempre nos assusta um pouco.

 

Padre, mudando um pouco o assunto, como chegou ao sacerdócio?

R: Até os 16 anos, quando eu tinha uma namorada, estudava, fazia cursinho e pensava na minha vida, nunca passou pela minha cabeça a idéia de ser Padre.

Participava, sim, das missas e de tudo mais (jovens, legião de Maria, escola “Mater Ecclesiae” etc.), gostava de ir à Igreja, mas “ser padre” nem pensar...

Nessa época (1989) os Padres Marianos (André Lach e Mateus J.) assumiram a minha Paróquia natal, S. Sebastião, e iniciaram um trabalho vocacional. Um e outro chegavam a mim e me perguntavam: “Você não quer ser Padre?”, o que sempre negava, de modo imediato.

Mas aquela pergunta me começava a me deixar inquieto... e foram meses de luta interior. Meu Deus, ser padre não! – era a minha luta. Um dia visitei o seminário maior (no Rio Comprido) e voltei de lá com grande paz e a certeza de que aquele era o meu lugar. A leitura do “Diário” do Bem-avent. Bispo Jorge também me iluminou muito naquele período.

Fui então conversar com o padre, disse-me que deveria pensar bem, conhecer outras comunidades etc.; mas estava decidido, e por isso disse que queria entrar; assim ele me pediu para fazer e enviar um pedido por escrito, o que depois de meses foi aceito. Claro, encontrei resistências da parte de alguns parentes e paroquianos, mas hoje tenho a sua compreensão e apoio. Saí da cidade do Rio de Janeiro pela primeira vez na minha vida (1991) e cheguei então em Curitiba.

 

Suas missas são sempre alegres e em grande parte cantadas, de onde vem essa forma de celebrar?

R: Eu sempre gostei de cantar as músicas da igreja, desde pequeno (“Um dia uma criança me parou”, cantava aos 6 anos de idade!), a música ajuda a abrir e elevar o coração em oração. Meu pai cantava na Missa das 7hs na minha paróquia natal (S. Sebastião). Aprendi a tocar violão com o seminarista – hoje padre – Fernando. Eu também cantava aqui na S. Jorge, na Missa das 7hs, lembram-se? No Noviciado estudei sozinho um pouco de música e cheguei a aprender teclado (o básico). Cheguei a dar aula de violão durante a filosofia. Quem canta reza duas vezes!  

 

OK, eu só tenho a lhe agradecer e desejar muita paz e sucesso em sua caminhada.

Que Deus o abençoe sempre e lhe ilumine.

 

Obrigado!

 

Entrevista concedida em: 31.01.2007 – correções: 30.03.2007.

 

Seminário Maior – Curitiba, PR